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Mas afinal, o ar condicionado é um meio de prevenção ou propagação do Coronavírus?

03/08/2020

Mas afinal, o ar condicionado é um meio de prevenção ou propagação do Coronavírus?

Qual o nível de confiança que um sistema de ar condicionado possui?

Os sistemas de climatização causam uma grande dúvida, ajudam na prevenção do Coronavírus ou são um meio transmissor dele.

A falta de acompanhamento da fiscalização, desde o início do projeto e das instalações de uma obra e aplicação do PMOC - Plano de Manutenção, Operação e Controle, criou um mercado frágil e desconhecedor das técnicas necessárias para garantir a boa qualidade do ar interno e do funcionamento adequado do sistema de ar condicionado na prevenção e proliferação de vírus e bactérias.

 “Qualidade significa fazer certo quando ninguém está olhando”
                                           
                                                                                          Henry Ford

Dúvidas em relação a fiscalização dos órgãos responsáveis é um pensamento comum entre muitos empreendedores.
Desde 1998, há no mercado inúmeros questionamentos em relação à veracidade legal destas normativas, levando o foco apenas a falta de fiscalização, transformando os cenários em cumprimento de protocolos e nada mais. A falta de fiscalização permitiu que as empresas instalassem equipamentos sem a mínima garantia do controle da qualidade do ar interior. Onde profissionais sem qualificação, realizam instalações, manutenções e até mesmo avaliações, sem possuir os conhecimentos técnicos necessários para tal.

Um sistema adequado de climatização não é construído da noite para o dia. Não para a grande maioria das empresas. O descaso do Estado como órgão fiscalizador, associado a falta de ética de instaladores fez com que um número potencial de empresas instalasse sistemas ineficientes no controle de contaminantes em ambientes confinados, não permitindo, nesse momento, a adoção de ações mínimas de mitigação, como renovação do ar interno, por exemplo.


Split com muito mofo (Foto: Christiane Lacerda, GHS)


Grelhas (saídas de ar) retiradas para inspeção interna dos dutos (Foto: Christiane Lacerda, GHS)

O tema não é tão recente assim. Há pelo menos 22 anos, o Ministério da Saúde publicou a Portaria 3523, em 28 de agosto de 1998, trazendo a conhecimento público as boas práticas para qualquer edificação em relação a procedimentos de manutenção, operação e controle dos sistemas de condicionamento de ar. Foi o pioneirismo nas regulamentações de QAI (qualidade do ar interno) que o mercado vinha apresentando para garantir a boa qualidade do ar aos ocupantes de ambientes gerenciados e mantidos por outras pessoas.

Em tempos de incerteza e insegurança como este que estamos vivenciando surgem algumas questões que, até então, passariam despercebidas pela maioria da população, mas que, agora, passam a ser fatores fundamentais para garantia da saúde e da vida.

O ar condicionado é importante de uma forma geral, para o bem estar da população e controle de agentes contaminantes, mas precisa ser corretamente instalado e bem cuidado. Em conversa com Ricardo Salles, empresário e vice-presidente da ACRJ - Associação Comercial do Rio de Janeiro, fica claro o entendimento que

“isso não é um peso a mais para o empresário, mas sim uma questão de equidade de competição e responsabilidade com o público, com os clientes. Estamos em um novo Brasil, onde a ética e as regras de integridade devem reger as organizações”.


Bandeja coletora de água condensada de um condicionador de ar, com presença de limo bacteriano por falta de manutenção (Foto: Christiane Lacerda, GHS)

 
Devemos então aproveitar o momento atual para corrigir o que foi construído de forma errônea e criar hábitos de manutenção e controle eficazes, que garantam menor impacto caso apareça algum novo microrganismo oportunista no futuro. Afinal, o COVID-19 é um vírus que apresenta baixas taxas de mortalidade; porém, outros tantos como sarampo e H1N1 continuam a coexistir mais próximo do que imaginamos. E não há como saber como nosso sistema imunológico estará respondendo naquele determinado dia que encontrarmos um patógeno pela frente, portanto é preciso confiar “cegamente” no responsável pelo ambiente que estamos frequentando, até porque o ar e os microrganismos, vírus e bactérias não são visíveis.

Nesse sentido, torna-se imprescindível uma forma de avaliação e certificação dos que fazem corretamente a lição de casa. Não é justo ao empreendedor que executa corretamente toda instalação de climatização e, portanto, tem um custo maior em sua obra, competir de forma igualitária aos que burlam o sistema por um custo menor, sem dar a devida importância à saúde de seus clientes ou colaboradores.

Como as autoridades tratarão este tema a partir desta pandemia? Vamos acompanhar e cobrar.

Redação: 
Christiane Lacerda - GHS

Editoração: Paloma Costa – Marketing 


 


 

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